8.2 - Os Moreira de Sá –do século XIII ao século XXI
8.2.2 - De Francisco Moreira Carneiro aos Netos
Francisco Moreira
Carneiro foi capitão-mor em em Nossa Senhora da Conceição de Mato Dentro,
distrito de Serro Frio em Minas Gerais no Brasil, nasceu em 17 de Abril de 1690
em S. Pedro de Sousa, Aguiar de Sousa, foi cavaleiro-fidalgo de sua majestade
por decreto régio de 1750, professo da Ordem de Cristo, familiar do Santo
Ofício, fidalgo de cota de armas, senhor da quinta do Assento em Santa Cristina
de Sezerdelo. Faleceu em 16 de Novembro de 1778 em Barrosas e foi sepultado na
capela da Casa de Sá.
Fora ainda moço para o
Brasil e seria oficial de carpinteiro quando se ausentou. Os seus pais e avós
foram lavradores, cristãos velhos e de boas fazendas. Sabe-se no entanto que
teve dificuldade em obter habilitação para a Ordem de Cristo, por ter sido
carpinteiro de engenhos em Minas Gerais e ter minerado com escravos embora já
fosse capitão de ordenança. Transparece o percurso de homem que não sendo
propriamente do mais baixo grau social era desprovido de fidalguia e que obteve
lugar na mais alta nobreza de então pelo percurso que fez no Brasil e pelo bom
casamento com Eduarda Catarina.
Para a habilitação à
Ordem de Cristo foram ouvidas várias testemunhas e tinha documentos de
recomendação do Governador de Minas Gerais assegurando os seus bons serviços
inclusive assegurando que foi ajudado por Francisco Moreia Carneiro contra um
levantamento do povo. O processo iniciado em 1735 foi concluído em 1740 e o capitão-mor
já alegava estar a ganhar má reputação na vizinhança por não estar a conseguir
a habilitação.Também o processo para familiar do Santo Ofício foi difícil tendo
no entanto obtido a sua carta em Outubro de 1843. Quando o requereu era
solteiro e uma testemunha, Miguel Francisco Carneiro, afirmou desconhecer se o
capitão-mor tinha filhos mas sabia constar-se que tinha um filho mulato. Uma
outra testemunha afirmou que em sua casa vivia um mulato de pouca idade que
afirmavam ser seu filho.
Segundo Fernando Moreira
de Sá Monteiro no Geneall dizia-se em Nossa Senhora do Mato Dentro que
Francisco Moreira Carneiro era homem para resolver qualquer negócio de
importância e que atendendo à escravatura e mais bens de que era titular,
deveria possuir mais de duzentos mil cruzados. No site as Minas Gerais (www.asminasgerais.com.br) é dito que
o capitão-mor Francisco Moreira Carneiro tinha 42 escravos. No já referido
acordo pré-nupcial é mencionado que tem uma sociedade com Manuel Moreira Maia
de onde constam roças e um engenho de cana e também uma terça parte de uma lavra em Minas Gerais,
nas Minas do Caraça, com quinze negros.
Do casamento entre o
capitão-mor Francisco Moreira Carneiro e a senhora da Casa de Sá Eduarda
Catarina Borges do Couto e Sá houve dois filhos, Francisco Joaquim Moreira Carneiro
Borges de Sá, nascido a 14 de Abril de 1748 e a quem se deve a fábrica de papel
por nós estudada e um outro, Joaquim José Moreira de Sá Barreto, este mais novo
e ainda menor quando seus pais em 27 de Setembro de 1773 instituíram em
escritura pública em Guimarães pelo tabelião Domingos Fernandes da Rocha o
Morgadio de Sá em favor do filho primogénito. Nesta escritura são identificados
diversas propriedades pertencentes à quinta de Sá; quinta do Cabo, de
Serzerdelo, do Crasto e prazo do Prado, fazenda do Pinheiro, casas do Toural, S.
Dâmaso e Molianas, medidas do Mourisco e S. Martinho do Conde que ficariam
reservadas ao capitão-mor para seu sustento enquanto vivesse. Também para
sustento de Eduarda Catarina ficaram-lhe reservadas as quintas do Casal, Tegem
e Outeiro.
Francisco Joaquim Moreira
Carneiro Borges de Sá é o primeiro da família a usar o apelido Moreira de Sá.
Conforme já abordado nos primeiros capítulos destes apontamentos casou por duas
vezes, primeiro aos 17 anos com Joseja Antónia Sotomayor Osório de Menezes,
esta familiar dos Araújo de Azevedo do qual já demos conta. Deste casamento
tiveram António Zeferino Moreira de Sá, Rodrigo António Moreira de Sá, Manuel
António Moreira de Sá e José Xavier Moreira de Sá e Maria.
Sobre Manuel António
Moreira de Sá já dissemos que morreu na defesa da ponte de Amarante em 1809 e
sobre ele foi escrito na Gazeta de Lisboa a 15 de Dezembro do mesmo ano que era
Fidalgo da Casa Real e distinguiu-se na defesa do Douro contra Loison tendo
sido um dos que o perseguiram até perto de Castro d’Aire. Consumou a sua
gloriosa carreira na ponte de Amarante onde comandava uma partida de atiradores
e foi atravessado por uma bala. Nas poucas horas que sobreviveu, sabendo ser
mortal a sua ferida, proferiu: Paguei o que devia ao meu Soberano e à minha
Pátria. Peço perdão a Deus e a benção a meus pais. Ninguém me chore, imitem-me.
Acrescentamos que morreu solteiro. O outro irmão José Xavier também assentou
praça com o irmão e serviu igualmente com distinção nas invasões francesas.
Com 53 anos, Francisco
Joaquim Moreira de Sá, volta a casar, agora com Ana Peregrina Pereira Pinto de
Carvalho Velho e desta teve Miguel António Moreira de Sá. Deste último ouvimos
já o seu pai falar quando estava no Brasil e dizia precisar voltar para dar
educação ao seu poeta.
Soubemos que teve ainda
outra filha que não apuramos se do primeiro ou segundo casamento, Maria do
Carmo Moreira de Sá, que foi mestra da cadeira de meninas e tomou posse em
1827. Dela é dito por Júlio Feydt em “Subsídios para a História de Campos
Goytocases” pela editora Esquilo em 1979 no Rio de Janeiro que teve uma
educação esmerada e pouco vulgar e fez compreender aos rotineiros que também as
mulheres precisavam de educação. Foi a primeira professora pública de Campos e
morreu octagenária em 17 de Maio de 1859. Sabe-se que teve um filho de nome
Miguel António Herédia de Sá que foi médico e jornalista e foi fundador da
Emancipadora Campista que se destinava a libertar crianças escravizadas.
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