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As Indústrias de Papel do Vale do Vizela e as suas Personagens (XV)

9 - O Papel de Vizela

Após um ano de pesquisa chegamos ao fim destes apontamentos com a certeza de que só agora começaram. O tema das indústrias de papel no rio Vizela ainda que quase todo ele imaterial é de grande importância cultural, a fábrica dos Sás que mereceu especial destaque nestes apontamentos esteve na vanguarda da inovação a nível mundial e fez parte dos primórdios da industrialização do país inspirado no que de melhor se fazia em Inglaterra em plena revolução industrial. Num contexto geográfico mais alargado, no do vale do Ave, muitas destas papeleiras nos finais do século XIX e primeiros anos do século XX, foram transformadas em indústrias têxteis configurando o tecido industrial que permaneceu até aos nossos dias.

A arquelogia industrial é um tema emergente que completa a História como um todo. As actividades económicas moldam a personalidade e memória colectiva e por isso cada vez mais são incluídas no estudo da História geral, paralelamente surge o interesse pelos temas técnicos e processos antigos que faz com  hoje inúmeras teses de mestrado e doutoramento se inspirem na arqueologia industrial. Diriamos mais; não se pode pois fazer História moderna sem estudar arqueologia industrial.

Infelizmente as autoridades a quem cabe o urbanismo só muito recentemente se deram conta da importância da arqueologia industrial e por isso por todo o país muito da memória industrial foi destruída. Por Vizela falta ainda criar esta forma de interpretação cultural e entretanto as zonas marginais entre as pontes do centro da cidade viram os antigos edifícios industriais demolidos na quase totalidade e aguardam agora requalificação ignorando a importância cultural das antigas indústrias aí sepultadas. Temos para nós ser irrecuperável. Bons exemplos existem por aí de antigas fábricas reconvertidas em museus, salas de espectáculos, centros tecnológicos, etc… Faltaram rasgos de modernidade para dar novos usos a edifícios obsoletos, porém laboratórios de excelência para arquitectura e movimentos culturais. Estamos em crer que Vizela acordará para esta mais valia económica que é a memória colectiva e o quanto ela pode representar no sector do turismo. Vizela que tomou o nome do rio tem potencial para vir a ser ícone das antigas industrias papeleiras do rio Vizela.

Intimamente ligada à fábrica de papel de Francisco Joaquim Moreira de Sá, a casa de Sá encerra nas suas paredes História desde os primórdios da naçāo portuguesa.  O solar continua em posse da família e foi há poucos anos objecto de um estudo académico que projectou a sua conversão em unidade de turismo rural. É em nosso entender a mais valiosa habitação vizelense que guarda uma valiosa e antiquíssima biblioteca e por isso merece ser preservada. Parece-nos essencial a promoção de um protocolo entre entidades públicas e privadas para garantir o bom estado do imóvel. Trazemos a exemplo a Casa da Insua em Penalva do Castelo no distrito de Viseu em que por acordo com instâncias públicas uma empresa privada ligada ao sector do turismo sem retirar propriedade å família herdeira explora uma unidade hoteleira lá instalada e ainda possibilitou que os magníficos jardins viessem a ser de acesso público. Porque não tornar a Casa de Sá num pequeno hotel temático inspirado na literatura e no papel. Sabemos da má experiência do Paço de Gominhāes nas redondezas mas ainda assim acreditamos que uma boa estratégia de promoção ditará o sucesso.

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