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A mostrar mensagens de janeiro, 2013

As Indústrias de Papel do Vale do Vizela e as suas Personagens (IV)

( anterior ) 3 - Fábrica de Papel da Cascalheira Em 5 de Janeiro de 1805, por alvará régio, assinado pelo Príncipe Regente e pelo Ministro da Real Junta do Comércio, Agricultura, Fábricas e Navegação, é concedida protecção Real à então designada Fábrica Real de Papel e de Tinturaria do Sá. «Eu o  Príncipe  regente Faço saber que sendo-Me presente, que Francisco Joaquim Moreira de Sá, proprietário da quinta denominada de Sá, sita na margem do Rio Vizella,... tem projectado construir na dita quinta huma Fábrica de Papel composto de matérias extrahidas de certas plantas, e ella anexa outra de Tinturaria,... tudo dirigido pelos vastos conhecimentos do hábil Tomaz Bishop, a quem tinhão convidado para a dita Sociedade... Attendendo a que esta empreza, pela sua importância, já demonstrada nos bons ensaios que apresentarão... era muito digna da minha imediata protecção; pois ainda que a arte de fazer papel de diversas fibras de vegetaes seja de tempo imemorial conhecida dos ...

As Indústrias de Papel do Vale do Vizela e as suas Personagens (III)

( Anterior )  3 - Fábrica de Papel da Cascalheira Das fábricas de papel do rio Vizela, a da Cascalheira não foi a primeira, porém Portugal fez história pela primeira vez em contexto industrial. A fábrica foi uma referência tecnológica a nível mundial utilizando-se pela primeira vez, pelo menos à escala industrial, massa de madeira para o fabrico de papel.    A escritura da fábrica de papel da Cascalheira foi assinada em 28 de Abril de 1804 por Francisco Joaquim Moreira de Sá e outros 6 sócios. Os preparativos para a edificação desta fábrica foram iniciados alguns anos antes. Rui Moreira de Sá e Guerra em "A Prioridade do Fabrico de Papel com Pasta de Madeira na Quinta de Sá" disso nos dá conta. Francisco Joaquim Moreira de Sá em 1798, a 15 de Janeiro, vendeu a José António Teixeira, homem de negócios da vila de Guimarães, e a sua esposa Teresa Álvares de Abreu Cardoso, os direitos de arrendamento dos Casais do Bôco em Tagilde, cujo senhorio era o Abade de...

As Indústrias de Papel do Vale do Vizela e as suas Personagens (II)

( Anterior ) 2 - Contexto da Indústria de Papel Antiga  O papel foi descoberto na China no século II a.c. mas só chegou á Europa no século VIII d.c. tendo sido introduzido pelos árabes. Foi no ano de 751 após a batalha de Samarcanda em que os chineses foram derrotados pelos árabes . Porém os primeiros registos de produção de papel são já do século X e situam-se no sul de Espanha, em Valência. Segue-se Itália no século XIII, França no século XIV e Portugal no ano de 1411 nos moinhos de Leiria. O papel da época era fabricado com trapos de origem vegetal, geralmente linho ou cânhamo o qual era macerado em água de cal. As primeiras unidades produtivas eram rudimentares e consistiram na conversão de moagens de cereais em moinhos de papel. Os cilindros da moagem eram usados para macerar os trapos na já dita água de cal reduzindo-a a uma pasta que depois de estendida e seca se transformava em papel. Em 1411 Gonçalo Lourenço, que  possuía  moinhos de cereais em r...

As Indústrias de Papel do Vale do Vizela e as suas Personagens (I)

1 - Notas Iniciais O Vale do Vizela foi desde finais do século XVIII aos primeiros anos do século XX um significativo pólo industrial do sector papeleiro. Quase quatro décadas antes da invenção oficial da pasta de madeira em 1840 por Friedrich Gottlob Keller, Francisco Joaquim Moreira de Sá  empreendeu  uma fábrica na quinta da Cascalheira, na margem esquerda do rio Vizela, que em 1802 produziu o primeiro papel com recurso à matéria lenhosa como matéria prima. Poucos anos depois as invasões francesas ditaram o encerramento da fábrica. Antes uma outra fábrica havia sido construída em Moreira de Cónegos produzindo papel de elevada qualidade com a marca "Papel das Caldas" muito apreciada pela corte. Outras existiram nas margens do Vizela, são porém memórias imateriais na medida em que não nos chegaram vestígios físicos conhecidos. Não obstante existem documentos notariais e obras de investigação que confirmam a sua existência. Nos últimos anos o tema das antigas fábri...