1 - Notas Iniciais
O Vale do Vizela foi desde finais do século XVIII aos primeiros anos do
século XX um significativo pólo industrial do sector papeleiro. Quase quatro
décadas antes da invenção oficial da pasta de madeira em 1840 por Friedrich
Gottlob Keller, Francisco Joaquim Moreira de Sá empreendeu uma fábrica na quinta
da Cascalheira, na margem esquerda do rio Vizela, que em 1802 produziu o
primeiro papel com recurso à matéria lenhosa como matéria prima. Poucos anos
depois as invasões francesas ditaram o encerramento da fábrica. Antes uma outra
fábrica havia sido construída em Moreira de Cónegos produzindo papel de elevada
qualidade com a marca "Papel das Caldas" muito apreciada pela corte.
Outras existiram nas margens do Vizela, são porém memórias imateriais na
medida em que não nos chegaram vestígios físicos conhecidos. Não obstante
existem documentos notariais e obras de investigação que confirmam a sua
existência. Nos últimos anos o tema das antigas fábricas de papel tem sido
matéria de inúmeras teses de doutoramento. No entanto nota-se uma ausência de
um estudo suficientemente aprofundado e dedicado em exclusivo às fábricas do
rio Vizela. Interessa-nos o artigo de Rui Moreira de Sá e Guerra, "A
Prioridade do Fabrico de Papel com Pasta de Madeira na Quinta de Sá",
publicado na edição de 1985 da Revista de Guimarães, de qualquer modo esta
documentação dedica-se em exclusivo à fábrica de Francisco Joaquim Moreira de
Sá.
Os apontamentos que agora se escrevem são uma compilação de informação
sobre as fábricas de papel do rio Vizela. Não pretendem de modo nenhum trazer à
luz do dia novas descobertas sobre este tema, são antes o resultado do
cruzamento de várias publicações e estudos todos eles disponíveis na grande
biblioteca que é a Internet, porém, aqui e ali podem surgir dúvidas ou
sugestões para novas linhas de estudo resultado do grande potencial de pesquisa
que a web oferece.
Conforme se disse a indústria de papel tem em Vizela um grande património imaterial deixado pelos antepassados que os contemporâneos têm obrigação de
materializar em prol da indústria do turismo e da cultura, mais, em tempos
economicamente difíceis como estes em que vivemos é um grande desperdício não o
capitalizar . De qualquer modo este será o tema do último capítulo.
(seguinte)
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