Introdução
Investigadores notáveis do passado dedicaram-se à compilação arqueológica e histórica de Vizela no tempo da civilização romana. Referimo-nos a José Diogo Mascarenhas Neto (1752 - 1826), José Joaquim da Silva Pereira Caldas (1818 -1 903), Francisco Martins de Gouveia Morais Sarmento (1833 - 1899) e Francisco Armindo Pereira da Costa, de pseudónimo Júlio Damas (1906 - 1982). Já nossos contemporâneos, encontramos, Maria José Pacheco e Francisco Manuel Veleda Reimão Queiroga.
De todos só dois efetivamente fizeram arqueologia - coloquemos três se considerarmos Martins Sarmento. Mascarenhas Neto que por sua iniciativa empreendeu curtas escavações, Queiroga como arqueólogo acompanhante de obras e considerando então Martins Sarmento que percorreu este vale, não fazendo escavações, mas recolhendo e identificando artefatos e lendas populares. Com isto também dizer, que na verdade nunca em Vizela existiu uma exploração arqueológica no verdadeiro sentido do termo, ou seja sistemática, contínua e duradoura. É por isso, de alguma forma surpreendente, que do pouco que até hoje foi feito para reconstruir esta História, na verdade, daquilo que se sabe já se percebe a grandeza da civilização romana nesta localidade.
Por nós, nesta coleção de textos que se iniciam agora, apenas pretendemos juntar peças que nos parecem dispersas, e ajudar de alguma maneira a mapear este vale romano. Também não fazemos arqueologia e somos de singelo saber nesta matéria, apenas tentamos cruzar dados e onde nos é possível, aventurar em algumas conclusões. As nossas fontes, são apenas e só aqueles a que conseguimos aceder a partir de um computador e um ou outro livro que possuímos.
1 - Recolhas arqueológicas (parte 1)
Nesta coletânea de textos, iniciamos pelo mapeamento dos artefactos romanos achados nesta região com especial enfoque nas Caldas de Vizela.
1.1 Lápide ao Deus Bormânico
Peça encontrada na Lameira dedicada a Bormânico, provavelmente divindade celta das águas termais curativas, de que falaremos mais em pormenor em outro momento. Encontra-se esta lápide no Museu da Sociedade Martins Sarmento sob o identificador 76. Tem na face a seguinte inscrição: CAIVS POMPEIVS; GALERIA CATVRO; NIS FILIVS MEID; VGENVS VX; SAMENSIS; REO BORMA; NICO VOTVM SOLVIT LIBENS; QVISQVIS HO; NOREM AGI; TAS ITA TE TVA; GLORIA SERVET; PRAECIPIAS; PVERO NE; LINAT HVNC; LAPIDEM.
É uma lápide em granito em forma de esteio com as seguintes dimensões: 166x38 cm e letras com 6 cm de altura.
Figura 1 - Lápide ao Deus Bormânico (https://www.csarmento.uminho.pt/site/s/sms/item/36674#lg=1&slide=0 - esquerda)
Em linguagem corrente, a inscrição traduz-se como: "Em cumprimento de voto, a Reve Bormânico, por Caio Pompeio Meidugeno, da tribo Galéria, filho de Caturão, natural de Uxama. Quem quer que sejas, que te ocupas das honras divinas, assim tua grandeza te salve; recomenda à mocidade que não manche esta lápide."
Maria José Pacheco diz que esta lápide foi encontrada em fins do século XVIII ^{Fonte 24}. Em Mascarenhas Neto ^{Fonte 9} refere-se dizendo que ela foi achada quando há uns 80 anos, segundo tradição popular, se descobriram as paredes de um tanque. A publicação é de 1792, pelo que podemos colocar esta achado nos primeiros anos de 1700.
Mascarenhas também escreve que esta pedra foi levada para a Quinta de Cirne - pensamos ser Gominhães que pertencia à família Cirne - em São João das Caldas e segundo populares consta que um pedreiro, por ordem do dono da quinta, lhe renovara as letras e, com isso é provável que muitas se tenham transfigurado.
Outro autor, Albano Belino ^{Fonte 23} escreve quanto à recomendação de não se consentir aos rapazes, que na lápide fizessem urina, acha o Sr. Dr. Emílio Hubner em Noticias Archeologicas de Portugal, versão do Sr. Augusto Soromenho, pag. 84, uma variante de outra inscrição de Formiae na Itália.
Elenco de Fontes:
- Fonte 9: Mascarenhas Neto, José Diogo – “Memoria Sobre antiguidades de Caldas de Vizela” in pag. 93 Memórias de Litteratura Portuguesa edição 1792 Academia Real das Sciencias de Lisboa
- Fonte 23: Belino, Albano Inscrições Romanas de Braga (Inéditas) - Tipografia Lusitana - 1895
- Fonte 24: Pacheco, Maria José - Avicella - Brasília Editora 1984
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