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As Caldas de Vizela e o Vale na Civilização Romana (4) - Recolhas arqueológicas

 

1 - Recolhas arqueológicas (parte 4)

1.7 Ara Anepígrafa de Rielho

Na freguesia de Santa Eulália de Vizela, antes Santa Eulália de Barrosas, foi encontrada uma ara anepígrafa (que não tem inscrição) guardada no Museu da Sociedade Martins Sarmento com o identificador 40. Segundo o investigador Martins Sarmento ^{Fonte 3} teve conhecimento desta peça por Gaspar Leão que, na casa onde foi criado, na quinta de Rielho, havia uma pedra com letras. Foram procurá-la e encontram uma pequena ara quebrada na base, praticamente lisa em todo o campo de gravação. Era apenas perceptível um V no principio da última linha. A lápide tinha servido durante muito tempo de degrau de escada com as letras voltadas para cima.

Figura 5 Ara Votiva de Rielho (https://www.csarmento.uminho.pt/site/s/sms/item/36599#lg=1&slide=0)

Esta ara é granítica e apresenta as seguintes dimensões: 55x19 cm e 12 cm de profundidade.

Sobre ela, Sarmento diz que ainda admitiu tratar-se do monumento de devoção de Reburrino abordado por Argote, mas logo percebeu que não pelas dimensões. Concluiu assim, que não é uma inscrição perdida, mas sim duas; o monumento de Reburrino e agora esta por se ter perdido a inscrição. Fomos consultar Argote ^{Fonte 27} onde diz: Na freguesia de Barrosas há uma pedra grande, com a seguinte inscrição: REBUR; RINUS; LAPIDA; RIUS. CA; STAEGIS; V. L. C. Que parece querer dizer: "Reburrino Lapidário de boa vontade, e por lhe merecerem, faz esta memória ou fez esta sepultura aos Castecos".

A pedra encontrada por Sarmento é pequena e Contador de Argote, escreve claramente sobre uma pedra que diz ser grande encontrada em Santa Eulália de Barrosas.

1.8 Ara Votiva de Tagilde

Em Tagilde, no passal da igreja, foi encontrada uma ara consagrada às Ninfas Lupianas. Encontra-se esta peça no Museu da Sociedade Martins Sarmento com o identificador 34. Tem inscrito ANTONIA; RVFINA; VOTO NINP; HIS LVPIA; NIS LIBENS; ANIMO; POSVIT. Em linguagem corrente "Antónia Rufina erigiu, de bom grado, esta ara às Ninfas Lupianas, em cumprimento de voto."

Figura 6 Ara votiva de Tagilde (https://www.csarmento.uminho.pt/site/s/sms/item/36593#lg=1&slide=0)

A descoberta da peça em 1887 deve-se a João Gomes de Oliveira, Abade de Tagilde. Esta pedra serviu algum tempo de encanamento de água, tendo vindo da casa do Assento, do meio de um silvado. É o que se lê em "A Cultura Epigráfica no Conventus Bracaraugustanus (Pars Occidentalis)" de Armando Redentor e edição da Imprensa Universidade de Coimbra.

As dimensões da peça são 72x30 cm e 31 cm de profundidade. As letras têm uma altura de 4 cm.

1.9 Ara Votiva de São Faustino

São Faustino de Vizela é uma freguesia que está inserida no Vale do Vizela, ainda que pertencente ao município de Guimarães. Esta freguesia, fica na margem direita do rio Vizela, na encosta do Monte de São Bento das Peras e faz fronteira com Tagilde e São Paio, ambas do município de Vizela.

Nesta freguesia foi encontrado um fragmento de uma ara votiva, o que se encontra no Museu da Sociedade Martins Sarmento com o identificador 29.

Esta ara tem a seguinte inscrição: IOVI; OPTI; MO MA; XIMO. Traduz-se como “A Júpiter Óptimo Máximo." Tem por dimensões 57x30 cm e 26 cm de profundidade. As letras têm uma altura de 7 cm.

Com a mesma inscrição encontram-se na Sociedade Martins Sarmento outras achadas na Quinta de Pascoais, Amarante; Tresminas, Vila Pouca de Aguiar e Serzerdelo.

Figura 7 Ara Votiva de São Faustino(https://www.csarmento.uminho.pt/site/s/sms/item/36588#lg=1&slide=0)

1.10 Inscrição na Igreja de Santo Adrião de Vizela

Já contador de Argote faz menção de uma inscrição na parte de trás da igreja. Diz ser uma pedra quadrada que tem letras esculpidas. Martins Sarmento também sobre ela escreve e diz que se encontra embutida, não nas costas da igreja, como muitas vezes é dito, mas no lado da capela-mor voltada para a tocha. Esta pedra foi aproveitada como pedra de construção da igreja mas, felizmente tem a inscrição para fora.

A inscrição foi analisada por Hubner que a interpretou com algumas diferenças em relação a Argote. D . M . S.; PROVINCIVS;NEREVS . P .I.; PROVINCIALI; PROTIDI. CO; NIVGI KARISSI; MAE. AN . XXVI. «Consagrado aos Deuses Manes. Provincius Nereus … à [sua] Provincialis Protis, esposa caríssima, de 26 anos.»

Figura 8 Inscrição na Igreja de Santo Adrião de Vizela

Elenco de Fontes:

  • Fonte 3: Sarmento, Francisco Martins – “Dispersos Coletânea de Artigos de 1876 a 1899” 1933 Imprensa da Universidade de Coimbra
  • Fonte 27: Argote, Jerónimo Contador de - "Memórias para a História Eclesiástica do Arcebispado de Braga" TOMO 3

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