Avançar para o conteúdo principal

As Caldas de Vizela e o Vale na Civilização Romana (3) - Recolhas arqueológicas

1 - Recolhas arqueológicas (parte 3)

1.5 Lápide Fúnebre do Sobrado

Também Martins Sarmento ^{Fonte 3} relata outra descoberta no lugar do Sobrado. Diz o investigador que na parede de uma corte da Casa do Sobrado encontrou um fragmento com a seguinte inscrição que não compreende: . RVEC; ENSIS; HS . C.

Acrescenta que da primeira linha existe apenas a parte inferior das letras, mas que a restauração que fez lhe parece óbvia: A segunda linha tem caracteres grandes e bem gravados; na terceira linha a segunda letra tem probabilidade de ser um S e que as restantes são certas.

Esta lápide é distinta da descrita em 1.4. Não se perdeu esta e encontra-se no Museu da Sociedade Martins Sarmento com o identificador 46. É uma peça em granito com as dimensões de 51x38cm e 22 cm de profundidade. As letras têm 10cm de altura.

A interpretação atual é E: RVEL; ENSIS; HIC SITVS; EST, que em linguagem corrente: "...ruelensis [nome do defunto ilegível] aqui está sepultado."

Figura 3 Lápide Fúnebre do Sobrado (https://www.csarmento.uminho.pt/site/s/sms/item/36625#lg=1&slide=0)

1.6 Arquitrave

Trata-se de uma das peças mais impressionantes do espólio recolhido nas Caldas de Vizela. É uma peça granítica de grandes dimensões em forma de arquitrave, que terá servido de padieira de porta. Está conservada no Museu da Sociedade Martins Sarmento com o identificador 72.

Figura 4 Arquitrave (https://www.csarmento.uminho.pt/site/s/sms/item/36670#lg=1&slide=0)

Esta peça de 256x48 cm e 38 cm de profundidade, tem letras gravadas de 9 cm de altura, cuja transcrição é: DEDICAVIT TITVS FLAVIVS ARCHELAVS CLAV; DIANVS LEGATVS AVGVSTI. Traduzindo: "Dedicou T. Flávio Arquelao Claudiano, Legado de Augusto."

A peça, segundo Mascarenhas Neto ^{Fonte 9}, terá sido descoberta no mesmo tanque em que se achou a lápide ao deus Bormânico relatada em 1.1, e que depois foi levada para uma quinta, chamada de Aldão, nas proximidades de Guimarães. É o que se pode ler em Frei Bernardo de Brito ^{Fonte 26}. Mas Belino ^{Fonte 23}, deduz que sendo a publicação do Frei Bernardo de Brito datada de 1609, esta descoberta será de fins do século quinhentista.

Frei Bernardo também supõe que esta arquitrave deve ter feito parte de um edifício público mandado construir por Tito Flávio Arquelau Claudiano. Sobre quem era este Tito, dedicar-nos-emos em outro momento desta coletânea. Acrescenta o Frei que, no local de onde a peça foi trazida, existem fontes de água quente e permanecem vestígios de banhos antigos, a que os romanos eram afeiçoados.

Elenco de Fontes:

  • Fonte 3: Sarmento, Francisco Martins – “Dispersos Coletânea de Artigos de 1876 a 1899” 1933 Imprensa da Universidade de Coimbra
  • Fonte 9: Mascarenhas Neto, José Diogo – “Memoria Sobre antiguidades de Caldas de Vizela” in pag. 93
  • Fonte 26: Brito, Frei Bernardo de - Monarquia Lusitana tomo II pagina 14

Comentários