1 - Recolhas arqueológicas (parte 2)
1.2 Pequena ara votiva a Bormânico
Encontra-se esta peça na Sociedade Martins Sarmento com o identificador 22. Em conjunto com a peça anterior, são as duas únicas referências conhecidas a uma divindade chamada de Bormânico. Trata-se de uma pequena ara de 50x23cm, 15cm de profundidade e altura das letras de 5cm. É em granito e tem inscrita num das faces: MEDAM; VS CAMALI; BORMANI; CO VOTUM SOLVIT LIBENS MERITO.
Em linguagem corrente a inscrição é traduzida como: "A Bormânico. Médamo, filho de Câmalo, cumpriu de boa mente este voto."
Esta peça, em granito, terá sido recolhida para o museu, quando estava no Banho do Médico (atual Rua Latino Coelho), porém havia sido encontrada no Banho do Mourisco em Janeiro de 1841. Assim se lê em Pereira Caldas ^{Fonte 16}, mas em Maria José Pacheco ^{Fonte 24} é dito que a essa data estava no banho do médico. Por outro lado, Pereira Caldas na já citada fonte também diz que a mesma foi depois levada para a casa de D. Maria da Costa junto à Ponte das Caldas.
Figura 2 Ara votiva a Bormânico (https://www.csarmento.uminho.pt/site/s/sms/item/36581#lg=1&slide=0 - esquerda)
Pereira Caldas, sobre esta lápide revela ainda que a interpretação foi difícil e que, só em 1848, com a ajuda do Abade Carmo de Leça do Balio foi possível decifrá-la como «Medamo Camalo, do Municipio d'Evora, consagrou esta lapide.» À luz da arqueologia atual entende-se esta interpretação como incorreta, sendo unanime a tradução já antes apresentada.
Outro investigador, Martins Sarmento ^{Fonte 3} , associa esta inscrição a outra da Citânia de Briteiros que tem inscrito CORV ABE MEDAMVS CAMALI. Este Medamo, filho de Camalo, pode efetivamente ser o mesmo.
1.3 Ara de consagração ao génio Laquiniense
Trata-se de uma ara granítica, recolhida no lugar do Aidro em São Miguel das Caldas. Na atualidade, este lugar deu nome a uma rua nas proximidades da igreja velha de São Miguel. Tem de dimensões, 68x29,5 cm e 21,5 cm de profundidade. As letras têm 5 cm de altura e numa das faces está inscrito: VOTUM LIBENS SOLVIT MERITO; GENIO L; AQVINI; ENSI FLAVVS; FLAVINI; FVLLO. Na face posterior também se lê: GENIO LAQVINIENSI.
A inscrição é traduzida como: Ao Génio Laquiniense, erigiu, de boa mente, Flavo, pisoeiro, filho de Flavínio." Depois na face posterior: "Ao Génio Laquiniense".
Mascarenhas ^{Fonte 9} diz que foi encontrada por José Ribeiro do Adro, morador na freguesia de São Miguel das Caldas e que achou a pedra enterrada nas vizinhanças do seu casal. Esta pedra está desaparecida. Belino ^{Fonte 23} relata que “Desapareceu do mesmo modo a ara, que Mascarenhas diz ter sido achada nas proximidades da casa do Aidro”. Acrescenta ainda que Hubner a relacionou com outra que menciona vagamente como «nas Caldas perto de Guimarães» na qual se deve ler I. O. M. Flavius Aventinus cum grata uxore.
1.4 Inscrição do Sobrado aos Deuses
Mascarenhas ^{Fonte 9} escreve que no lugar do Sobrado há edifícios antigos arruinados e que nas paredes da casa de um lavrador se achou uma inscrição. Ora, o lugar do Sobrado, não dista muito do Aidro ficando contudo a maior distância da Lameira. Desta, rumo a norte são cerca de 900m. Uma vez mais o lugar deu nome a uma rua da atualidade.
A pedra era faceada dos 4 lados. Dizemos "era" porque é mais uma inscrição desaparecida. Mas dizíamos, faceada dos 4 lados e escrita em 2. Já em 1895, Belino escreveu que a inscrição estava perdida.
Mascarenhas estimou as suas dimensões em 40cm de largura e também disse estar a trabalhar para a decifrar e que para isso tem recorrido a muitos sábios. Acrescenta que até à data não o tinha conseguido e por isso a ofereceu à Real Academia.
A sua inscrição é nos revelada por Martins Sarmento que diz que Hubner examinou a cópia deixada por Mascarenhas e concluiu que a inscrição faria referência a nomes de Lucina, Minerva, Sol, Luna, Fortuna, Mercurius, Genius Jovis, Genius Martis, Esculapius, Hygia, Venus, Cupido, Coelus, Ceres, Genius Victoria, etc. mas a dita pedra já estava perdida.
Elenco de Fontes:
- Fonte 3: Sarmento, Francisco Martins – “Dispersos Coletânea de Artigos de 1876 a 1899” 1933 Imprensa da Universidade de Coimbra
- Fonte 9: Mascarenhas Neto, José Diogo – “Memoria Sobre antiguidades de Caldas de Vizela” in pag. 93 Memórias de Litteratura Portuguesa edição 1792 Academia Real das Sciencias de Lisboa
- Fonte 16: Pereira Caldas, José Joaquim Silva - Noticia Archeologica das Caldas de Visella, 1852
- Fonte 23: Belino, Albano Inscrições Romanas de Braga (Inéditas) - Tipografia Lusitana - 1895
- Fonte 24: Pacheco, Maria José - Avicella - Brasília Editora 1984.
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