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As Indústrias de Papel do Vale do Vizela e as suas Personagens (XV)

9 - O Papel de Vizela Após um ano de pesquisa chegamos ao fim destes apontamentos com a certeza de que só agora começaram. O tema das indústrias de papel no rio Vizela ainda que quase todo ele imaterial é de grande importância cultural, a fábrica dos Sás que mereceu especial destaque nestes apontamentos esteve na vanguarda da inovação a nível mundial e fez parte dos primórdios da industrialização do país inspirado no que de melhor se fazia em Inglaterra em plena revolução industrial. Num contexto geográfico mais alargado, no do vale do Ave, muitas destas papeleiras nos finais do século XIX e primeiros anos do século XX, foram transformadas em indústrias têxteis configurando o tecido industrial que permaneceu até aos nossos dias. A arquelogia industrial é um tema emergente que completa a História como um todo. As actividades económicas moldam a personalidade e memória colectiva e por isso cada vez mais são incluídas no estudo da História geral, paralelamente surge o interesse pelos ...

As Indústrias de Papel do Vale do Vizela e as suas Personagens (XIV)

8.2.3 -Os Sucessores do Francisco Joaquim Moreira de Sá Por António Zeferino Moreira de Sá, filho do primeiro casamento e que casou com Maria Gertrudes Rebelo Peixoto Faria, nasceu Valentim Brandão Moreira de Sá. Este casou com Ana Rita de Faria e Silva e tiveram Francisco Joaquim Moreira de Sá Brandão Sotomayor e Menezes que foi Juiz de Direito em Cabeceiras de Basto. Este casou com a sua prima Eduarda Emília Moreira de Sá que era filha de Miguel António Moreira de Sá, filho do segundo casamento de Francisco Joaquim Moreira de Sá, uma facto curioso este das duas linhas de descendência se unirem. Deste casamento nasceu Bernardo Valentim Moreira de Sá em 14 de Fevereiro de 1853 em Guimarães, foi distinto violinista, musicólogo, concertista e Director de orquestras e coros orfeónicos, escritor e crítico de arte, professor de música, de matemática e de línguas na Escola Normal do Porto. Continuando nesta linha descendente chegamos a Bernardo Joaquim Moreira de Sá nascido em 1879, eng...

As Indústrias de Papel do Vale do Vizela e as suas Personagens (XIII)

8.2 - Os Moreira de Sá –do século XIII ao século XXI 8.2.2 - De Francisco Moreira Carneiro aos Netos Francisco Moreira Carneiro foi capitão-mor em em Nossa Senhora da Conceição de Mato Dentro, distrito de Serro Frio em Minas Gerais no Brasil, nasceu em 17 de Abril de 1690 em S. Pedro de Sousa, Aguiar de Sousa, foi cavaleiro-fidalgo de sua majestade por decreto régio de 1750, professo da Ordem de Cristo, familiar do Santo Ofício, fidalgo de cota de armas, senhor da quinta do Assento em Santa Cristina de Sezerdelo. Faleceu em 16 de Novembro de 1778 em Barrosas e foi sepultado na capela da Casa de Sá. Fora ainda moço para o Brasil e seria oficial de carpinteiro quando se ausentou. Os seus pais e avós foram lavradores, cristãos velhos e de boas fazendas. Sabe-se no entanto que teve dificuldade em obter habilitação para a Ordem de Cristo, por ter sido carpinteiro de engenhos em Minas Gerais e ter minerado com escravos embora já fosse capitão de ordenança. Transparece o percurso...

As Indústrias de Papel do Vale do Vizela e as suas Personagens (XII)

( anterior ) 8.2 - Os Moreira de Sá –do século XIII ao século XXI 8.2.1 - Os ancestrais Francisco Joaquim Moreira de Sá tem origens familiares conhecidas que remontam ao século XIII. Fernando Moreira de Sá Monteiro tem-se notabilizado na pesquisa dos seus ancestrais e distancia-se dos genealogistas tradicionais no que diz respeito a Rodrigues Anes de Sá e ao casamento com Giulia Colonna filha de um senador romano. O próprio Fernando Moreira de Sá Monteiro afirma no fórum do Geneall: “O "caso" do "pretenso" casamento de Giulia (ou Cecilia) Colonna com Rodrigo Anes de Sá, foi um dos que maior polémica me arranjou com o falecido D. Luiz Gonzaga de Lancastre e Távora, Marquês de Abrantes e Fontes, a cuja memória me curvo respeitosamente. Não acredito muito nesse casamento, confesso. Pelo menos, nos moldes que é descrito pelos nobiliaristas desde o séc. XVI.” Em «Sás – Subsídios para uma Genealogia» o já referido investigador afirma que tendo-se dedic...

As Indústrias de Papel do Vale do Vizela e as suas Personagens (XI)

( anterior ) 7 - Francisco Joaquim Moreira de Sá, e a História do Papel no Brasil. Encontra-se em literatura brasileira que Francisco Joaquim Moreira de Sá era um velho ilustre fidalgo português que emigrou para o Brasil na companhia d’El Rei D. João VI e que uma vez lá chegado não se constituiu pensionista do Rei como quase todos o fizeram, tratou antes de se retirar para a sua fazenda em Santo António de Rio Abaixo em Minas Gerais. Era parente do Ministro António de Araújo de Azevedo e muito influente no Paço e a sua casa tornou-se no ponto de reunião da elite mineira. Esta descrição que no Brasil se faz de Moreira de Sá é ilustrativa da sua personalidade e capacidade de iniciativa. Podemos acrescentar; persistência, pois uma vez no Brasil, longe da fábrica que criara, continua a perseguir o sonho de fabricar papel com pasta de madeira. Rui Moreira de Sá e Guerra referencia oito cartas escritas por Francisco Joaquim Moreira de Sá a António de Araújo de Azevedo entre Agosto ...

As Indústrias de Papel do Vale do Vizela e as suas Personagens (X)

( anterior ) 8 - Personagens e Contexto Familiar 8.1 Família Álvares Ribeiro Iniciamos o penúltimo capítulo destes apontamentos com um breve estudo sobre a família Álvares Ribeiro. Os pais do fundador da fábrica de papel instalada em Moreira de Cónegos foram António Álvares Ribeiro Guimarães e Luísa Albina de Santa Rosa, o primeiro nascido em 1749  e a segunda em nascida em 1760. O patriarca seria natural de Vizela e veio a estabelecer-se no Porto como livreiro, sobre esta sua actividade há de facto uma vasta referência disponível na Internet. Desde logo em «A Actividade Livreira no Porto no Século XVIII» de Maria Adelaide de Azevedo Meireles é dito que a actividade estava tradicionalmente nas mãos de uma mesma família e refere o exemplo da família Álvares Ribeiro classificando-a como uma importante família de livreiros da cidade do Porto. Este teria oficina na rua de S. Miguel e loja na rua das Flores, onde se concentravam quase 90 livreiros. A mesma obra refere que a...

As Indústrias de Papel do Vale do Vizela e as suas Personagens (IX)

( anterior ) 6 – As Ruínas da Fábrica da Cascalheira 6.2 - Ponte da Cascalheira Júlio César Ferreira nos seus fotoblogues identifica a ponte da Cascalheira como sendo vestígio arqueológico da fábrica de papel de Francisco Joaquim Moreira de Sá, não encontramos porém qualquer outro autor que fizesse referência ao assunto. Ainda procuramos no blogue Dias com Árvores a transcrição de um texto de José Duarte de Oliveira publicado em 1886 no Jornal de Horticultura Práctica e que relata as obras então a decorrer para a construção do parque das termas. Ora estas grandiosas obras, um dos mais importantes trabalhos de jardinagem feitos no país conforme palavras do autor, situavam-se na margem oposta da quinta da Cascalheira e decorreram menos de um século depois da edificação da fábrica de papel, tínhamos por isso a expectativa de que nos desse pistas quanto à existência ou não da ponte da Cascalheira, porém omite-a por completo. Talvez possamos entender a omissão no relato das obras ...

As Indústrias de Papel do Vale do Vizela e as suas Personagens (VIII)

 ( anterio r) 6 – As Ruínas da Fábrica da Cascalheira 6.1 - Guerra Peninsular Mas haver á alguma consist ê ncia na versão que indica que a f á brica foi destruída pelo ex é rcito franc ê s? Para responder a essa questão, na aus ê ncia de documentação que nos d ê not í cias da actividade francesa em Vizela no tempo da Guerra Peninsular vamos saber o que se passou na vizinha Guimarães à qual Vizela dependia administrativamente, curiosamente vamos estudar o tema recorrendo a um discurso do Abade de Tagilde, freguesia que hoje pertence ao concelho de Vizela, João Oliveira Guimarães à é poca presidente da Câmara de Guimarães. O documento pertence ao arquivo da Sociedade Martins Sarmento da qual todo o nosso pa í s se deve orgulhar pelo valor que a mesma tem no estudo da Hist ó ria local do norte em especial Guimarães e Vizela. João Oliveira Guimarães, nas comemorações do centen á rio da Guerra Peninsular, indica-nos que os franceses chegaram a Guimarães em 18 de Dezemb...

As Indústrias de Papel do Vale do Vizela e as suas Personagens (VII)

( anterior ) 6 – As Ruínas da Fábrica da Cascalheira 6.1 - Guerra Peninsular É comum ler-se que a fábrica de papel da Cascalheira foi destruída em 1808 pelas invasões francesas, porém é quase inexistente a documentação disponível na grande rede que é a Internet. Recorremos de novo a Rui Moreira de Sá que nos dá uma perspectiva diferente da sabedoria comum. Com efeito em a «Prioridade do Fabrico de Papel na Quinta de Sá”, são citadas duas fontes que apontam para que a destruição da fábrica tenha sido levada a cabo por plebeus que acusavam o seu promotor de “afrancesado”.  No terceiro capítulo destes apontamentos fizemos referência a que António de Araújo e Azevedo pode ter sido determinante na construção da fábrica podendo também o ter sido, ainda que involuntariamente, para a sua destruição. O futuro Conde da Barca tornara-se Ministro dos Negócios Estrangeiros e da Guerra e figura central do conflito quadrangular, Portugal, Inglaterra, França e Espanha que os levou à Guer...